Hoffmann diz que, estruturalmente, a escola atual não oferece tempo ao aluno para manifestar-se, repensar conceitos, reformular hipotéses, entre outros. Por conta disso, ela diz que o caminho percorrido pelo aluno, marcado por sucessos e obstáculos, é que estabelece o tempo da sua aprendizagem. E mais, ela afirma ser de suma importância acompanhar este aluno passo a passo diante desse contexto.
Sobre as múltiplas dimensões do olhar avaliativo, a autora propõe uma reflexão. Ela diz que a vinte anos pergunta aos professores “porque avaliar na escola?”. As respostas que ela tem obtido, de acordo com ela mesma, não são satisfatórias porque os docentes estão à margem da compreensão da real finalidade do processo avaliativo. O destaque que eles dão costuma resumir-se à questão dos registros. Não há um pensar reflexivo sobre as “concepções de educação e de sociedade”.
O saber que a avaliação é um instrumento de controle não pode escapar ao conhecimento do professor. Pela avaliação educacional, estabelece-se o controle da “qualidade da ação da sociedade, do poder público, do professor, do aluno, dos pais…” (p. 60).
Hoffmann também levanta a idéia da finalidade da avaliação sendo observada a partir de uma concepção polarizada: a do controle que cerceia, e a do controle que acompanha. Este último, marcado por um rigor terno e amoroso, ocupa-se em não amputar o crescimento, a experiência e a autonômia dos aprendizes; ele é exercitado em favor dos alunos. Ele objetiva auxiliá-los em todo o percurso estudantil, identificando-se com com as suas dificuldades, dialogando com eles e apontando-lhes diretrizes adequadas.
A avaliação que controla acompanhando o sujeito, e não o cerceando, é notada quando se analisa a maneira como se dá a intervenção pedagógica. A autora afirma que toda incursão pedagógica precisa adequar-se ao processo de construção do aprendiz. Se não há situações pedagógicas que estimulem a superação de desafios e a busca pelo avanço do sujeito, está evidente que se tem à frente um caso de controle avaliativo que está preocupado somente com a sua utilidade burocrática.
Avaliar Para Promover – Jussara Hoffmann
Avaliar Para Promover
Jussara Hoffmann
Mediação – 142 pags.
Resenha – Zwinglio Rodrigues
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Olá Francisco,
Concordo com a “Jussara”, tendo em vista, que as amarras burocráticas fazem no nosso sistema avaliativo atual, refém dos interesses capitalistas de nossa sociedade, e que de certa forma, inibi a capacidade de avanço do aluno na construção e desenvolvimento de suas habilidades.
Um grande abraço,
Alessandra.
Olá !
O texto levou-me a desconstrução da concepção
de controle avaliativo como algo que limite, iniba
mas como possibilidade de acompanhar efetivamente o processo de aprendizagem. Afinal este sim deve ser avaliado e não o aluno, afim de responsabilizá-lo por ” seus fracassos”. Fracassos esses muitas vezes gerados pela ineficácia de práticas educativas.
Aprecio essa autora.Tenho como base sua fundamentação.
O diferencial da educação é que podemos contar com futuros pensadores como Jussara Hoffmann, que com seu questionamento, nos leva a refletir.
Segundo Hoffmann nem mesmo o professor sabe o porque deste tipo de avaliação, na verdade, por mais estratégias, recursos ou meios diferenciados utilizados para a avaliação, inevitavelmente vamos esbarrar na burocracia do registro seriado e seletivo.
Em sala pregamos o discurso da avaliação diferenciada por competências (eu realmente acredito nessa avaliação), porém, ao final do mês, com data previamente marcada, entrego a avaliação que dirá se este aluno é 0 ou 10.Com certeza uma frustração minha e deles, que Graças a Deus esta mudando.
Culpar o sistema significa na transferência de responsabilidades, a culpa é de todos e de ninguém ao mesmo tempo, isso porque, históricamente falando, nosso sistema educacional é muito jovem ainda, e passa por transformações de modismos, onde nossa prática necessita ser única, ou tradicional, ou tecnicista ou progressista, espero que chegue um momento onde tenhamos liberdade de utilizar o que seja melhor ao aprendizado de nossos alunos, para que eles saibam como cidadãos fazerem a auto avaliação de seu aprendizado.
Olá!
Muito obrigado por ter visitado Dokimos e por ter comentado por lá… também agradeço por fazer menção à resenha que escrevi aqui em seu blog…
Sou coordenador pedagógico da SMED de Vitória da Conquista-Ba e trabalho com a modalidade EJA… livre em “about” que você tem experiência com tal modalidade… poderíamos trocar informações para o nosso crescimento mútuo… o que achas?
Abraços!!
Zwinglio
“Se não há situações pedagógicas que estimulem a superação de desafios e a busca pelo avanço do sujeito, está evidente que se tem à frente um caso de controle avaliativo que está preocupado somente com a sua utilidade burocrática”. Fantástica essa colocação, e além disso, muito evidente. Li hápouco tempo um livro interessantímo, cujo título: O que sabe quem erra? Da Maria Teresa Esteban. Em alguns momentos, as afirmações do livro se remetem ao pensamento de Hoffmann, porque a função da avaliação não deve ser simplesmente quantitiva, sua premissa principia, antes de tudo, na condição reavaliarmos o crescimento; de diagnosticarmos as situasções atuais, para planejarmos as práticas futuras, e seu objetivo vai muito além da burocratização. O importante é promover e priopiciar momentos em que se possa crescer, vivenciar uma situação, ter contato com o objeto diretamente. Não é assim que aprendemos? O que mais importa, é que cada ação seja explorada, e quanto mais riqueza você tiver na ação que pretende desenvolver, mais elementos terá para “ensinar”, aprender, avaliar e (re)significar.
Estou por aqui… O texto veio a propósito. Tenho refletido sobre o assunto.
Abraços.